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OS GATÕES

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Por Augusto César Ponte

 

Ficha-Técnica

Título: Os Gatões (The Dukes, 1979/85)
Dublagem: Herbert Richers/RJ
Nº de episódios: 147

A Série

Questão de opinião não se discute, mas é muito difícil de encontrar no Planeta Terra pessoas que não curtiram e/ou assistiram com entusiasmo, aceitação e ansiedade à série de televisão Os Gatões. Aqueles que não gostam e criticam a série sem nenhuma base sólida são representados por uma minoria bem insignificante, numericamente falando, é claro.

A série é tão ou mais popular do que a série Justiça em Dobro ("Starsky and Hutch"). O primeiro episódio foi ao ar pela televisão americana no dia 26 de janeiro de 1979. Já se passaram mais de 22 anos e a série continua sendo um sucesso absoluto em todo o mundo.

Na série destacamos uma lindíssima trilha sonora, tocada pelo baladeiro Waylon Jennings, cujo CD original com a belíssima música é tão raro e caro, que somente por encomenda se pode obtê-lo e numa lista de espera. Waylon Jennings também fazia a locução oficial da série nas temporadas iniciais. Esse CD é intitulado “The Dukes of Hazzard”, que foi lançado em 1982 pela Volcano Entertainment 3, onde todo o elenco canta a música “Good Ol’ Boys”.  

O elenco de Os Gatões é simplesmente maravilhoso. Destacamos o incomparável ator de formação Shakesperiana, já falecido, Sorrel Booke, falava cinco línguas, e fazia o papel do Chefe Hogg, sem falar de outro ator de peso, James Best, o Xerife Rosco P. Coltrane, extraordinário ator e que incorporou tão bem o personagem que fazia. Os atores principais eram Tom Wopat (Luke Duke), John Schneider (Bo Duke) e a estonteante Catherine Bachman (Daisy Duke), que depois mudou o nome para Catherine Bach, além do Tio Jesse (Denver Pyle).

Dos episódios produzidos (147), 18 não foram ao ar com os Dukes originais (Bo e Luke). No quinto ano da série, os atores Tom Wopat e John Schneider deixaram o elenco e foram substituídos pelos atores Byron Cherry (Coy Duke) e Christopher Mayer (Vance Duke). Estes atores também conquistaram seu espaço. O motivo dos atores originais terem deixado a série foi uma disputa salarial com a Warner Bros., que não queria pagá-los uma porcentagem na participação das vendas de produtos de “merchandising”. Os atores processaram a Warner e vice-versa. A Warner processou os atores por quebra contratual e eles chegaram a um acordo amigável.

Um dos personagens mais populares era o fantástico General Lee, um Dodge Charger RT, ano 1969, com as portas soldadas, estampando um número 01, uma "gaiola" interna como as encontradas nos carros de corrida da Nascar e a bandeira Confederada impressa no teto. Além disso, uma buzina que já vendeu barbaridade, podendo ser encontrada até hoje em lojas dos EUA e Canadá, pois tocava as notas iniciais do hino confederado, Dixie. O General Lee era um dos campeões no recebimento de cartas dos fãs, possuindo ainda hoje legiões e mais legiões de fãs em todo o mundo. 

A série é uma das poucas que mostravam e valorizavam valores morais de respeito e obediência aos mais velhos e aos familiares, mostravam as manobras de um chefe corrupto de uma cidade interiorana chamada Hazzard. Era uma cidade fictícia que saiu da cabeça do produtor Gy Waldron e misturava elementos da sua cidade natal em Falmouth, Kentucky. No entanto, os cenários tinham locação numa área parecida como Chatsworth, na Geórgia. Todos os elementos que compunham a série eram tratados de uma maneira divertida, pura e bastante simples, sem violência, sem uso de armas mortais, pois os Dukes estavam numa condicional por terem sido acusados de produzir, contrabandear e vender uísque ilegal, “moonshine”. Por essa razão, não podiam usar armas de fogo, revólveres, metralhadoras, escopetas, etc. As armas usadas eram arco e flecha, às vezes com dinamite acoplada, utilizadas para amedrontar, nunca para matar. Em toda a história da série, apesar das perigosíssimas cenas de ação, perseguições de carros, saltos e explosões, apenas uma tragédia aconteceu. Tantos elementos criativos e bem dosados fizeram a fórmula que transformou Os Gatões num dos clássicos mais cultuados da televisão mundial. 

A Warner Bros. já perdeu até as contas de quanto já faturou na venda dos direitos de imagem da série e de seus personagens. Empresas de ponta do mercado mundial como a "Racing Champions", "ERTL", “Mego”, “UNISONIC”, dentre outras, lançaram e lançam ainda hoje inúmeros produtos de merchandising - que esgotam em poucos dias nas lojas de miniaturas - video games e brinquedos dos Estados Unidos, Canadá e México. Só de réplica do Dodge General Lee, possuo na minha invejável coleção cerca de quinze modelos de vários fabricantes e continuam a chegar no mercado mais e mais produtos. Cogita-se até que uma segunda reunião do elenco está programada para o ano de 2001, pois com a exceção de Denver Pyle e Sorrel Booke, todos os atores do elenco original estão bem vivos e desfrutando de uma reputação e valorização muito grande no seio da comunidade americana e mundial. 

Como em todas as séries de sucesso, surgem inúmeras especulações, por exemplo, como surgiu a buzina do General Lee. Há quem diga que um dos Dodge comprados para a série veio com uma dessas buzinas acopladas, mas essa parece não ser a verdadeira origem da buzina. No recente livro “The Unnoficial Companion of The Dukes of Hazzard”, do autor David Hofstede e que tem o prefácio de Catherine Bach, a estonteante Daisy Duke, a versão da origem da buzina é outra. Conta o autor que a buzina foi acrescentada ao “show” por acidente. Gy Waldron e seu companheiro de filmagens, Paul Pickard, estavam numa rodovia do Estado da Geórgia para filmar um dos primeiros episódios da série, quando ouviram uma buzina de doze notas musicais, não onze, como dizem, que vinha de um carro em direção oposta ao carro dos produtores da série. Os produtores deram um cavalo-de-pau no carro em que trafegavam, como na série, e perseguiram o carro por algumas milhas antes de acenarem para o motorista do outro carro parar. Picard ofereceu ao jovem motorista a quantia de $300 (trezentos dólares) pela sua buzina. Mais tarde descobriu que a buzina podia ser facilmente encontrada em qualquer loja de auto-peças por apenas setenta dólares.

Da série de televisão surgiu um especial denominado “The Dukes of Hazzard: Reunion”, que foi ao ar em 1997, bem como vários outros especiais produzidos para “talk shows” e entrevistas com o elenco. Pouca gente sabe, mas a Warner Bros. se uniu ao estúdio de Hanna-Barbera para produzir a versão em desenho animado de Os Gatões, 20 episódios, com as vozes fornecidas pelos próprios atores do elenco original. A série também inspirou uma spin-off intitulada Enos, que contava com o ator Sonny Shroyer (Oficial Enos Strate).

Personagens

 
Tom Wopat 
como Luke Duke
John Schneider
como Bo Duke
Catherine Bach
como Daisy Duke

Denver Pyle
como Tio Jesse
Sorrell Booke
como Chefe Hogg
James Best
como Xerife Rosco

Sonny Shoyer 
como Enos
Ben Jones
como David
Rick Hurst
como Cletus
Waylon Jennings
como o Baladeiro
 

Augusto César Ponte é colaborador do RetrôTV.

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