Especial Chapéu e Gravata Hanna-Barbera – Introdução

Só Entra Se Estiver de Chapéu ou Gravata!

Este especial vai mostrar, gradualmente, os famosos personagens quadrúpedes da Hanna-Barbera que preferiram ser… um pouco diferentes. Eles passaram a ser antropomórficos, ou seja, se tornaram bípedes, falam, agem e pensam praticamente como um homem. E, para ficar ainda mais parecido, usam ainda chapéus, gravatas, cachecóis, coletes…

Esse é o mundo de fantasia criado pelo estúdio Hanna-Barbera, que desde 1957 deu vida e personalidades quase humanas a Jambo e Ruivão, Dom Pixote, Zé Colmeia, Plic e Ploc, entre tantos outros. O estúdio só passaria a estrelar humanos em suas produções a partir de 1960, com Os Flintstones.

Chegou a hora de relembrar os valentes (ou não) personagens engravatados da H-B, que perambulam o mundo em busca de aventuras. 

A Hanna-Barbera

Os desenhistas William Hanna e Joseph Barbera se conheceram no ano de 1937 e começaram a trabalhar juntos, dois anos depois, no estúdio de animação da Metro-Goldwyn-Mayer (MGM). A dupla começou com um curta-metragem chamado “Puss Gets the Boot”, onde um gato (que se chamou Jasper) perseguia um rato (Jinx). A animação estreou nos cinemas americanos em fevereiro de 1940 e chegou a ser indicada ao Oscar de melhor curta-metragem naquele ano, apenas perdendo para outra animação da MGM (“The Milky Way”, de Rudolph Ising).

dublagem-hanna-barberaEm seguida, novos curtas do gato e rato foram produzidos, mas ganharam um outro nome: Tom e Jerry. Apesar da proeminência do nome de Fred Quimby nos créditos da produção de Tom e Jerry, artisticamente falando, o executivo-chefe não teve participação alguma na produção da série animada. Quimby era vendedor dos desenhos da MGM Cartoon e, para justificar o alto salário, seu nome era imprimido em destaque nos créditos. Os reais idealizadores de Tom e Jerry foram Hanna e Barbera, responsáveis desde a concepção dos personagens, roteiros, direção e produção dos 113 curtas, realizados entre 1940 e 1957 e vencedores de sete Oscar de melhor curta-metragem de animação. As quatro primeiras estatuetas foram entregues consecutivamente, tornando Tom e Jerry a única série de curtas animados que pudesse competir lado a lado com outro gigante da época, os estúdios Walt Disney.

Em 1944, Hanna e Barbera criaram a empresa H-B Enterprises, com ajuda de um diretor da MGM chamado George Sidney. Mesmo seguindo com os trabalhos com Tom e Jerry na MGM, os três usavam a outra companhia para trabalhar em projetos complementares, incluindo comerciais de televisão e créditos originais de séries, como I Love Lucy. Sidney manteve relações com a H-B durante dez anos e chegou a proporcionar que o rato Jerry aparecesse dançando junto do grande ator da MGM – Gene Kelly – no filme “Marujos do Amor” (“Anchors Aweigh”, 1945). O feito se tornou uma clássica cena da história do cinema.

Em 1957, a MGM fechou seus estúdios de animação, já que sentiram que tinham um número suficiente de curtas-metragens para reeditar e exibir novamente nos cinemas. Entre os funcionários demitidos estavam os chefes do departamento, Hanna e Barbera.

Fachada decorativa do estúdio Hanna-Barbera em 1993; hoje é usado pelo Cartoon Network Studios

Mas, a dupla aproveitou o momento e passou a se dedicar exclusivamente à H-B Enterprises. Foram contratados a maioria dos funcionários da equipe de animação da MGM e já que as animações exibidas na tevê eram reprises de produções originais do cinema, o estúdio H-B decidiu especializar-se em animação própria para televisão, criando um novo conceito de animação original.

A H-B enfrentou então o desafio de produzir com um orçamento muito limitado, diferentemente do trabalho anterior da MGM, que requeria investimentos altíssimos. Em uma técnica desenvolvida por Hanna e Barbera, o segredo foi animar parcialmente os personagens, sem redesenhá-los por inteiro, ou seja, refazer somente aquilo que se movia. Assim nasceu a necessidade de os personagens usarem chapéu, gravata, punhos de camisa e afins, que além de dar um aspecto mais humanizado aos bichos, disfarçava as emendas dos desenhos parados com os em movimento, na cabeça, braços e pernas.

Pode-se perceber facilmente os resultados desta técnica de não redesenhar o que está “parado”, quando os personagens correm e só as pernas se movimentam, girando como hélices.

Desta forma, com animação bem mais simplista, os destaques dos desenhos H-B foram os diálogos (em sua maior parte dublados pelos fantásticos Daws Buttler e Don Messick), efeitos e trilhas sonoras.

A primeira série da H-B foi Jambo e Ruivão (The Ruff & Reddy Show), que estreou na rede americana NBC em dezembro de 1957. Mesmo com a animação precária, onde cenários se repetiam e reaproveitava-se gestos e expressões dos personagens a exaustão, o sucesso ficou garantido com as divertidíssimas gags que rechearam os episódios e alegraram adultos e crianças.

Em 1959, a H-B Enterprises passou a chamar-se Hanna-Barbera Productions e, ainda que fosse muito criticada por suas limitadas técnicas de animação, produziu exitosas séries que foram ao ar durante os sábados de manhã nos EUA – o “Saturday Morning” -, como Dom Pixote, Zé Colmeia, O Patinho Duque, Leão da Montanha e Pepe-Legal. Também foram produzidos vários projetos para os estúdios Columbia Pictures – incluindo Loopy Le Beau -, uma série de curta-metragens e alguns filmes baseados em suas séries animadas.

Comerciais para televisão voltaram a serem produzidos pelo estúdio, na maioria das vezes usando seus próprios personagens. A animação de abertura do seriado A Feiticeira, por exemplo, teve a marca H-B.

Em 1960, o estúdio se tornou líder mundial em produção de animação para tevê com a estreia de Os Flintstones em horário nobre, mostrando uma paródia à sociedade americana dos anos 1960, época em que o consumismo crescia muito. Outras séries animadas da H-B também seriam exibidas com sucesso no horário nobre americano, como Os Jetsons (ABC, 1962-63) e Jonny Quest (ABC, 1964-65).

Joseph Barbera (e) e William Hanna

A companhia foi ter sua sede própria apenas em 1963, quando se mudou para Hollywood (Califórnia). A sociedade com a Columbia Pictures durou até 1967, quando Hanna e Barbera venderam o estúdio por 12 milhões de dólares para a Taft Broadcasting. Mas, a dupla continuou trabalhando como executiva da empresa até 1991, quando a Hanna-Barbera passou a fazer parte da Turner Broadcasting System, empresa que trouxe de volta a maior parte do catálogo H-B à tevê americana, através de seu canal Cartoon Network. Na nova empresa, a dupla Hanna e Barbera trabalhou como conselheira.

Em 1994, a Hanna-Barbera Productions foi renomeada para Hanna-Barbera Cartoons, Inc., e em 1996, a Turner se fundiu com a Warner Bros., fazendo parte do conglomerado atualmente chamado de Time Warner, que continua como responsável pelo acervo H-B.

Ainda em 1994, surge o Cartoon Network Studios, uma divisão da Hanna-Barbera Cartoons instalada no antigo edifício da Hanna-Barbera, em Hollywood. O novo estúdio foi dedicado à produção de programação original para o canal de desenhos, chamada “Cartoon Cartoons”. Os primeiros episódios (O Laboratório de Dexter, Johnny Bravo, A Vaca e o Frango e As Meninas Superpoderosas, que posteriormente ganhariam shows próprios) ainda contaram com a assinatura da Hanna-Barbera. Em 2003, a marca H-B deixou de assinar as produções e o próprio Cartoon Network Studios assumiu integralmente.

Hanna e Barbera exibem seus Emmy’s

Hoje, a Hanna-Barbera existe como uma subsidiária da Warner Bros. Animation. Não existem mais produções com a marca H-B e a empresa apenas trabalha com licenciamento de personagens para o mercado, geralmente com Os Flintstones, Os Jetsons, Scooby-Doo e Zé Colmeia. Parte do acervo H-B vem sendo lançada em DVD e exibida nos canais do grupo (Cartoon Network, Tooncast e, há alguns anos atrás, no antigo Boomerang).

Em todos os 46 anos de atividade, as produções de televisão da H-B ganharam oito prêmios Emmys e uma estrela na Calçada da Fama, em Hollywood. O trabalho da Hanna-Barbera proporcionou alguns dos personagens de desenhos animados mais memoráveis da tevê. Tendo produzido mais de 3 mil desenhos, a H-B criou um extenso legado que até hoje encanta gerações.

William Hanna morreu em 22 de março de 2001, aos 90 anos, e Joseph Barbera em 18 de dezembro de 2006, com 95 anos. Foram nada menos que 62 anos de parceria.

Entre fãs de animação, há sempre uma grande dúvida: Tom e Jerry é ou não é um desenho H-B? Pode-se considerar que técnica e praticamente sim, pois grande parte da equipe que trabalhou para Hanna e Barbera na MGM migraria para a H-B Enterprises. Se Hanna e Barbera eram proprietários ou empregados, isso é só um detalhe técnico que não tira a parternidade da criação do gato e do rato mais famosos da tevê e do cinema.

Dica: veja os trabalhos de Juan Pablo Bravo e de Sérgio Lehman, em compilações com os personagens Hanna-Barbera.

// O autor desta matéria é Maurício Viel. Escreva para nós e faça seus comentários.

ESPECIAL CHAPÉU E GRAVATA HANNA-BARBERA
Introdução | Jambo e Ruivão | Dom Pixote | Plic e Ploc | Zé Colmeia | Pepe Legal | Joca e Dingue Lingue | Olho Vivo e Faro FinoBibo Pai e Bobi Filho | LOOPY LE BEAU |
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