Velozes e Apaixonantes!

O cinema e a tevê, ao longo de sua existência, trouxeram até nós uma infinidade de invenções que foram e ainda são reais ou fictícias. Dentre elas estão os carros que de coadjuvantes se tornaram protagonistas de uma infinidade de animações, séries e filmes. Roubaram a cena de astros e estrelas, passando a ter um importante papel nas aventuras, dramas, suspenses e comédias.

Vamos lembrar agora de alguns dos mais famosos (ou não) veículos que foram inventados para nos emocionar, amantes ou não da velocidade!

Desenhos Animados

Quando o assunto é pioneirismo, impossível não se lembrar literalmente dos primeiros “passos” do que podemos chamar de veículos quase-motorizados. Na Idade da Pedra, a Revolução Industrial estava longe de acontecer mas em Os Flintstones (1960) podemos ver os maravilhosos Stonebugs movidos a solas dos pés dos moradores da cidade de Bedrock.

Todo agente secreto que se preze tem um carro a sua altura. Por isso o veículo tipo “1001 utilidades” do Esquilo Sem Grilo (1965) pode ser um avião, um carro ou transformar-se simplesmente em uma maleta. Fácil de transportar não?

Para o Homem-Fluido, Homem-Mola e Multi-Homem tudo é possível, pois além de serem músicos nas horas vagas, Os Impossíveis (1966) combatem o crime no possante Impossímovel, carro capaz das mais incríveis peripécias e parte importante do sucesso das missões

A Corrida Maluca (1968), teve a proeza de reunir uma série de veículos estranhos como, a Máquina do Mal de Dick Vigarista e seu co-piloto Mutley; o clássico Citroën Lictoria (Chuca Boon) dos tampinhas da Quadrilha de Morte; o Dragster do almofadinha Peter Perfeito; o Serramóvel de Rufus Lenhador e Dentes de Serra; um Tanque de Guerra do Sargento Bombada; o Carro Metamorfose do Professor Aéreo; o Charmoso conversível de Penélope Charmosa; o carro de pedra dos Irmãos Rocha; o Cupê Mal-Assombrado pilotado por um Vampiro, um parente próximo de Frankenstein e um Dragão; o Carro-Avião do Barão Vermelho; e o Calhambeque do Tio Thomás e Urso Chorão. Ao todo, 11 veículos que se revezam na liderança da prova a cada episódio.

Quando estreou na tevê, Scooby-Doo (1969) representou bem o estilo de moda da época – o psicodelismo – bem visível na pintura do famoso furgão Máquina do Mistério, que de viagem em viagem encontrou muitos fantasmas de mentirinha pela sua frente. Outro cachorro que fez muito sucesso na época de seu surgimento foi Penry. Faxineiro no dia-dia, mas que nas horas vagas se transformava no destemido Hong-Kong Fu (1974) e tem como meio de locomoção um carro oriental, que ao soar de um gongo de seu gato China, se transformava em barco, avião, trem e outros.

O trocadilho com a série de tevê S.W.A.T. (1975) caiu como uma luva para três ursos do barulho. Então surgiu a Ursuat (1977) com seu “caminhão de perfume” Ursuat Car, e os simpáticos caronas Trombada, Tampinha e Esperto, que realizam supermissões nesse caminhão de lixo.

Se você não se lembrar do desenho, com certeza irá se lembrar da célebre frase dita por Confuso a seu mal-humorado chefe, o Chapa, e pelos impassíveis Risada e Avesso: “Eu te disse, eu te disse… mas eu te disse”. A turma de motos do Chapa são os vilões do desenho; o mocinhos é o fusquinha Willie, que se comunica através de uma buzina. Sua namoradinha é a Rota. Lembrou do desenho? Carangos e Motocas (1974).

Mas com certeza o carro que mais conquistou admiradores no mundo foi sem dúvida o cultuado Mach 5 de Speed Racer (1967). Criado pelo japonês Tatsuo Yoshida, o carro tem 580 HPs de potência, motor Turbocharger e chega a atingir os 350 Km/h. Trás entre seus apetrechos, serras dianteiras que traçam todo tipo de obstáculo que encontra pela frente, além de poder andar sobre a água, voar e saltar longas distâncias. Na década de 90, a CSN (Child Safety Network) –uma entidade americana que dá proteção e bem-estar a crianças carentes– realizou um evento destinado a uma campanha de segurança no trânsito, onde trazia entre outras atrações uma réplica em tamanho real do famoso Mach 5. Hoje o carrinho virou item de colecionador. Quando foi exibido no Brasil pela primeira vez em 1970, um erro de dublagem tornou o Mach 5 (maque faive) em Match 5 (matchi faive). Uma versão cinematográfica do desenho, em carne e osso, estreou nos cinemas brasileiros em 2008.

Um carrinho que fez muito sucesso entre a rapaziada e ganhou uma versão animada foi Speed Buggy (1973). Um Bugue superfalante montado com partes de vários carros, que traz como passageiros os mecânicos Debbie, Tinker e Mark.

Oriundos do planeta Thundera, o ótimo Thundercats (1983) tem como especialista em mecânica o guerreiro Panthro, responsável pelo Thunder-Tanque, máquina de combate imbatível e capaz de se locomover em qualquer terreno. Não teria o futuro veículo do filme “Batman Begins” (2006) se inspirado nesta máquina?

Depois de muito sucesso no cinema, a versão animada de Os Verdadeiros Caça-Fantasmas (1986), além do personagem Geléia, tem como atrativo o Ecto-1, uma ambulância Miller Meteor Cadilaque 1959 V8, com 329 CV, cheia de parafernálias e caracterizada com o famoso logotipo dos exterminadores de ectoplasma. Há um tempo atrás ela foi posta a venda no Museu do Automóvel dos EUA, pela bagatela de US$ 149 mil. No mundo todo, sua miniatura vendeu mais de 1 milhão de unidades.

Outros que adotaram a Terra como campo de batalha e vindos do planeta Cybertron, foram os Transformers (1984), robôs que se auto transformam em carros, aviões, caminhões e outros. Os Autobots são liderados por Optimus Prime, que travam lutas contra seus arquiinimigos os Decepticons e seu líder Megatron. Neste desenho pode-se ver o poder da mecatrônica em ação. Em 2007 chegou aos cinemas brasileiros, em “carne e osso”, o longa “Transformers”, dirigido por Michael Bay.

Séries

Impossível falar de mecânica em séries de tevê sem citar o nome de um cara que foi o rei dos customizadores (carros preparados ao gosto do freguês, personalizados, tunados) e responsável pela criação de alguns dos mais famosos carros que o público conheceu, o especialista George Barris. Talvez você nunca tenha ouvido falar de Mamãe Calhambeque (My Mother, the Car), famosa série americana dos anos 60, onde um Calhambeque recebe o espírito da senhora Ann Sothern, mãe do jovem Dave Crabtree. O modelo criado por George Barrise foi um Porter 1925 montado em cima de um chassi especial, mas que na verdade era a junção dos carros Ford T (Maxwell Hudson) e um Chevrolet, todos das décadas de 20 e 30.

Muito antes de se tornar o agente secreto 007, Roger Moore estrelou a série O Santo (1962/69) e, como os heróis que veremos a seguir, tinha a sua disposição um cúmplice motorizado. O modelo escolhido era um Volvo P180 branco, mostrando toda a classe do personagem.

Dando asas a imaginação, George Barris construiu para a série Os Monstros (1964/66) dois Dragsters. O primeiro é o Munster Koach, uma mistura dos modelos Ford T com motor 289/V8 e um Mustang GT 1964, com comando de válvulas Iskanderian, pistões Jahns e carburadores super cromados. O segundo é o Dragula — trocadilho de Dragster e Drácula — também montado com motor 289/V8 de 350 CV, pneus Sliks Firestone com rodas de motos no eixo dianteiro, podendo chegar a 230 Km/h.

Conhecida como a série que mostrou Bruce Lee ao mundo –ao lado de Van Willians– O Besouro Verde (1966/67) teve em seu elenco um charmoso Chrysler Imperial Lê Baron 1966, preto, com motor 440 modificado. Com o nome de Beleza Negra, foi o aliado perfeito dos dois heróis. Em 2011, será a vez do Besouro verde ir aos cinemas.

Mas nenhum outro seriado de tevê conseguiu ser tão famoso pela presença de um carro, como foi Batman (1966/68). Aqui, a maior atração para os fãs foi o inigualável Batmóvel, também criado por Barris, a pedido da 20th Century Fox. Na verdade o carro é um Ford Lincoln-Mercury, construído na Itália nos anos 50. O Batmóvel sofreu uma transformação radical, com o famoso motor Ford V8 sendo substituído por um Ford 427 de transmissão automática com compressores Paxton e injeção de nitrogênio. Outros acessórios também foram incorporados, como uma turbina, uma pintura especial com filetes, rodas Rader de liga leve e calotas detalhadamente pintadas de vermelho com a famosa logo-marca do homem-morcego. Santo detalhe, Batman!

Considerada como uma das séries mais violentas da tevê, Mannix (1967/75) tem como atrativo um Oldsmobile Toronado 1966, com 375 CV e pequenas modificações em seu visual feito por… Barris.

A década de 70 teve dois representantes de peso junto aos admiradores e colecionadores de relíquias. O primeiro foi uma dupla que fez muito sucesso na tevê e deixou saudades: Starsky & Hutch (1975/79). Juntos, pilotavam um Ford Gran-Torino 460 1976 vermelho e branco, com o lema de “Justiça em Dobro”.

No mesmo ano em que esta série teve fim, outra cujo um automóvel teve destaque estreava nos EUA: Os Gatões (1979/85). As série mostra os primos Bo e Luke Duke, que vivem fugindo (ou capturando) o chefe Hogg e o xerife Rosco, ajudados pela prima Dayse com seu Dodge Road Runner 1974. Eles usavam um outro Dodge, a estrela da série, um Charger RT 1969 de motor Magnum 440, “discretamente” pintado de cor laranja com o número “01” em suas portas. Seu nome de batismo foi General Lee. Foram usados aproximadamente 200 modelos para as famosas cenas de perseguições e destruições, sendo que ao final da série foram poupados dois modelos para exposições. Um detalhe que chama a atenção do carango é a buzina que entoava a música “Dixie”, conhecida como o “Hino dos Confederados”.

Uma das últimas criações que teve o “Toque de Midas” de Barris foi Super Máquina (1982/86), série estrelada por David Husselhoff, no papel de Michael Long. Após levar um tiro, Long é salvo pelo industrial milionário Wilton Knight (Richard Basehart) e então assume nova identidade, passando a ser um defensor da lei, usando o carro Pontiac Trans AM (Knight 2000) que tem como atrativo KITT (Knight Industries Two Thousand) um computador de bordo.

Finalizando, não poderia deixar de citar um seriado nacional que é amado por muito marmanjo com mais de 40 anos, e vez ou outra é tema de matéria na televisão. “De noite ou de dia, firme no volante, vai pela rodovia, bravo vigilante!”. O Vigilante Rodoviário (1962) foi protagonizada pelo policial Carlos Miranda, tendo como companheiro o cão Lobo, uma Harley Davidson 1952 e o inesquecível Sinca Chambord 1959 V8 Aquilon – 88 CV.

Sem dúvida, um agradável passeio pela história da indústria automobilística. Pé na tábua!

Até á próxima viagem!

O autor deste artigo é Edu Nascimento. Escreva para nós e faça seus comentários.
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